domingo, 5 de julho de 2015



Por Thiago Azevedo

Tendo em vista que Adão fora nosso primeiro representante na terra e que sua representação deixou a desejar (evidentemente que tudo dentro dos decretos divinos), o evangelho atual não possui bons representantes. Este legado adâmico se torna uma realidade quando observamos a postura de alguns homens ditos representantes evangélicos atuais. Em função disso, pretende-se com este texto elencar apenas dez motivos pelos quais um verdadeiro cristão, aquele que se pauta pelas Escrituras Sagradas, não deve ter os líderes evangélicos atuais como seus representantes.

PRIMEIRA RAZÃO – A primeira razão deve ser aquela que não pode sair da mente de qualquer cristão, aquela mais importante: Todo e qualquer cristão que se preze deve ter a pessoa de Cristo como seu representante maior. Isso não isenta a possibilidade do cristão ter líderes terrenos. Porém, se faz necessário à construção de um padrão para tal liderança, e este padrão está na pessoa de Jesus. Logo, se o referido líder não apresenta uma conformidade com a vida de Jesus Cristo, reavalie a situação. Paulo deixou este princípio muito claro aos cristãos de Corinto (1 Coríntios 3:10-11) quando tudo que deve ser feito no reino de Deus deve necessariamente ser edificado sobre o fundamento principal – Cristo. Este ponto tem sido esquecido por muitos, que mesmo possuindo líderes que não condizem com o que Cristo foi se portam de forma aceitável para com tal líder. Isso ilustra a situação crítica do evangelho atual onde homens demonstram que outros homens são mais importantes que a própria pessoa de Cristo – situação muito semelhante à igreja de Corinto – partidarismo (1 Coríntios 3:4). Jesus Cristo é e deve ser toda e qualquer referência para todo verdadeiro cristão, e não homens fabricantes de heresias e possuidores de desejos megalômanos-midiáticos-financeiros.

SEGUNDA RAZÃO – A segunda razão está sob a égide do testemunho. A verdade é que há uma incompatibilidade gritante entre o falar e o agir, entre o discurso e a realidade, entre o dizer e o fazer dos líderes evangélicos atuais. Talvez a grande crise em que o evangelho se encontre remonte a isso, a saber, o testemunho não condizente com as palavras que se profere. Na atualidade, os cristãos possuem um desejo desenfreado de demonstrar espiritualidade em ambientes litúrgicos e restritos. Eles pregam um “espírito santo” trôpego que não se reflete na vida prática, no testemunho em si. Pessoas que atestam ter o Espírito Santo em suas vidas, mas estas pessoas compram e não pagam, adulteram, agridem, difamam, sonegam impostos, não falam com os pais, abandonam parentes, deturpam o que a Bíblia diz etc. Pode ser qualquer espírito que os usem, menos o de Deus. Pois, como o próprio nome já diz, Ele é Santo.

TERCEIRA RAZÃO – A terceira razão recai em outra incompatibilidade, a saber, a vida dos ditos líderes evangélicos atuais em relação às Escrituras Sagradas. Comumente temos visto pastores, cantores, etc., gravando vídeos de incitação ao ódio contra pessoas diversas. A Bíblia que deve ser regra de fé e prática de todo e qualquer cristão não é mais lembrada e nem citada nestas ocasiões, e quando é, é de forma errada para acoplar possíveis ações errôneas ao contexto bíblico. A Bíblia nos diz que a palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira (Provérbios 15:1). A Bíblia manda amar nossos inimigos (Mateus 5:43-48). A Bíblia nos mostra que uma discussão é como um soltar das águas, assim, antes que sejas envolvido, afasta-te da questão (Provérbios 17:14). A Bíblia nos ensina ainda que honroso é para o homem desviar-se de questões, mas todo tolo é intrometido (Provérbios 20:3). O tolo revela todo seu pensamento, mas o sábio o guarda até o fim (Provérbios 29:11). Poderíamos passar todo o restante do dia citando textos bíblicos que pregam justamente o contrário do que muitos líderes evangélicos atuais vivem em seus cotidianos. Na Escritura, até quando há discussão, o nome de Deus é glorificado (Atos 15:36-41). Logo, surge uma dúvida em nossa mente: Ou estes homens não leem a Bíblia, ou rasgaram de suas Bíblias essas partes do texto? A grande maioria dos lideres evangélicos atuais possuem uma incompatibilidade imensa entre o que a Palavra ensina e suas respectivas vidas.

QUARTA RAZÃO – A quarta razão gira em torno da incapacidade que a maioria dos líderes evangélicos atuais possui de filtrar as coisas. Todo e qualquer cristão deve ter um filtro dentro de si para reter o que for bom e desprezar o que for ruim e incompatível com a Bíblia. Logo, todo e qualquer cristão deve se inteirar, ler e pesquisar o máximo de informações possíveis. Deve também conhecer o máximo de ideias possíveis aplicando sempre a regra do filtro. Jesus, por exemplo, conviveu com grupos religiosos extremos em seus dias: Essênios, Zelotes, Fariseus, Saduceus, Samaritanos e Herodianos. Jesus era perito em lidar com estes grupos e conhecia muito bem a linha de pensamento de cada um. Esta compreensão e  entendimento por parte de Cristo deve ser uma realidade externada por parte dos verdadeiros cristãos atuais.

Convivemos na atualidade com diversas cosmovisões que desembocam em grupos diversos. Sabemos, por exemplo, que os direitos humanos dos dias atuais trata-se de um segmento que está permeado de princípios humanísticos e marxistas, porém isso não significa dizer ou afirmar que os humanos – pessoas – não tenham direitos. Os líderes evangélicos da atualidade possuem tanto ódio, amargura e tédio embutidos nas suas falas que demonstram esquecimento relacionado a esta verdade. Para não ficar apenas nas minhas palavras, confira no link disponível a seguir as palavras daquele que era o presidente da comissão dos direitos humanos e minorias na Câmara dos Deputados em Brasília (clique aqui). Na realidade essas palavras não são dignas de um verdadeiro servo de Deus, de um cristão de verdade. Perceba que no momento exato que o líder evangélico diz que John Lennon fora alvejado com três tiros no peito, pessoas glorificam a Deus! Como pode uma pessoa desta estirpe intelectual me representar como cristão? Jamais! O próprio Jesus enumera alguns direitos dos homens em seu tempo que se estende até nós, um bom exemplo encontramos em Mateus 25:34-46. O ser humano possui direitos sim, independente de credo, cor e sexo, independentemente de quem seja, o grande problema são as ideologias que se alojam por de trás desta verdade, além do extremismo funesto-religioso que alguns líderes evangélicos atuais tratam a questão. Nessas horas o filtro de todo cristão deve reter o que for bom e expelir as impurezas, mesmo quando o que se tem a reter seja pouquíssimo (I Tessalonicenses 5:21).

QUINTA RAZÃO – Não vivemos mais na idade média, mas vivemos uma idade mídia. A mídia domina e impõe seus ideais à massa. O evangelho vem sendo adaptado a esta funesta realidade. O evangelho se transformou numa simples e mera mercadoria manipulada por meio da mídia. Os líderes do evangelho atual são peritos neste assunto – comercializar a fé midiaticamente. Homens que enriqueceram com o evangelho, são jatos, carros, fazendas, gado etc., tudo com a exposição midiática. Qual personagem mesmo da Bíblia enriqueceu com a pregação do evangelho? Nós vemos homens que já possuíam riquezas, mas não ganharam estas com a fé dos outros. Quando Moisés recebeu de Deus a ordem de construir o tabernáculo, houve um momento que as ofertas eram tantas que Moisés ordenou que estas cessassem (Êxodo 36:6-7). Nesta nova e podre teologia da prosperidade as árvores – líderes religiosos – aplicam uma lógica jamais vista em tempo nenhum. Ou seja, comem de seus próprios frutos e não alimentam ninguém. Toda árvore alimenta pessoas com seus frutos, menos as que são plantadas no solo impróprio da teologia da prosperidade.

SEXTA RAZÃO – A sexta razão fica por conta do baixar o nível do evangelho. Os líderes evangélicos da atualidade baixam constantemente o nível do evangelho para que ele aparente ser mais acessível, numa espécie de evangelho à moda do freguês, self service gospel. Joshua Harris em seu livro - Eu disse adeus ao namoro - menciona uma ilustração muito interessante: Um jogador de basquete que não alcança a cesta para encestar a bola e que baixa o nível da altura da cesta de basquete sem que ninguém perceba. Logo, o jogador de basquete começa a encestar a bola em sucessivos lançamentos e enterradas constantes. Consequentemente, quem observa de longe olha admirado acreditando ser aquele um excelente jogador, mas na realidade não é, é só aparência. Isso é o que tem sido feito com o evangelho atualmente, baixaram o nível e muitos não conseguem perceber e ainda elogiam quem o rebaixou como um grande jogador, um grande e intocável líder evangélico. Mas na realidade não passa de um impostor religioso. Na atualidade este nível foi tão rebaixado que qualquer um, com um pouco de atenção, nota.

SÉTIMA RAZÃO – A sétima razão fica por conta da “Síndrome de satanás” que a maioria dos líderes evangélicos atuais possuem – a necessidade de independência. Além disso, eles não aceitam que ninguém os monitorem, não aceitam a prestar satisfações, não aceitam a repreensão e nem se submeter às possíveis punições. Geralmente fazem uma ginástica estatutária e burocrática dentro das igrejas para converter as regras e posicionamentos institucionais ao seu bel prazer. Acima deste só Deus, e olhe lá! Pois como o Reverendo Renato Vargens destaca em seu livro - Reforma Agora - certa mulher ao ouvir seu filho criticar seu líder evangélico teceu a seguinte frase em defesa do líder: “Fale de Deus, mas não fale de meu líder”. Noutra ocasião, no mesmo livro, o autor nos conta que um certo líder evangélico da atualidade disse que teve uma experiência de arrebatamento e foi levado ao céu. Lá, no ambiente celeste, Deus ao receber conversou com ele por muito tempo e eis que de repente Jesus adentra no ambiente onde a conversa estava acontecendo. Jesus intenta dar uma opinião dentro do assunto conversado, prontamente Deus olha para Jesus e tece as seguintes palavras: “Filho! tenha educação, não vê que estou falando com o líder tal? Não atrapalhe!”.

Este pensamento é nutrido pela maioria dos próprios líderes evangélicos atuais, eles gostam de holofotes em cima deles. O próprio Cristo quando esteve na terra sempre se remeteu ao pai como sendo partícipe de uma harmonia, não podendo haver tirania ou autoritarismo por parte de Um ou de Outro. Todos estes sintomas apresentados por tais líderes evangélicos e pessoas que participam desta rotina são caracteres de uma Síndrome na qual intitulo como a “Síndrome de satanás”– aquela que o indivíduo quer ser Deus, isso no sentido de não ter ninguém acima de sua autoridade, aquele desejo de se assentar no trono dos tronos da autoridade – ser igual a Deus – justamente a proposta da Serpente feita a Eva no Éden.

OITAVA RAZÃO – Esta razão é a mais perigosa, trata-se daqueles líderes evangélicos que possuem o seguinte axioma: “Eu não aceito o 'não sei' como respostas, eu procuro respostas convincentes para todos os mistérios que há na Bíblia”. Sabemos que este é o principal ingrediente para o surgimento de heresias no seio da igreja. O desejo de ser original na interpretação da Palavra distinguindo de tudo aquilo que a tradição cristã preservou como a sã doutrina é um risco eminente para o surgimento das heresias. Se a Bíblia se cala acerca de algum assunto, o verdadeiro cristão faz o mesmo. Os líderes evangélicos atuais excedem este limite, tentam ultrapassá-lo com frequência e ainda se gabam de suas posturas. Resultado: heresias em série. É por essas e outras que eles estão distante de ser representantes dos cristãos verdadeiros.

NONA RAZÃO – Para esta razão iremos nos debruçar sobre um conselho de um sábio da antiguidade, seu nome é Salomão. No livro de Provérbios a sabedoria deste homem flui. Provérbios 27:2 nos dá uma recomendação básica e nos ensina uma grande verdade: “Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios”. Esta recomendação não é vista nos líderes evangélicos atuais, e aqui, para sermos sinceros, esta recomendação é vista em poucos do meio cristão. Vemos e ouvimos justamente o oposto. Vivemos numa época de autoelogios onde cada vez mais a própria pessoa concede informações positivas acerca de si mesmo.

A recomendação de Salomão é básica pelo fato de alguém que fala de si mesmo muito provavelmente não irá relatar seus defeitos e limitações, mas quem está de fora os percebem muito bem. Portanto, a melhor avaliação de alguém é aquela que é feita por quem está de fora e não pela própria pessoa. O mesmo princípio é visto em Apocalipse 2:9 e em Apocalipse 3:17. Respectivamente falando, a igreja de Esmirna é de fato paupérrima e sabe disso, mas Deus a vê como rica, enquanto a igreja de Laodicéia é de fato riquíssima, mas Deus a vê como pobre, cega, miserável e nua. Logo, podemos deduzir que o princípio da auto avaliação não importa muito, mas sim a avaliação de Deus, de outrem. Quando você vir alguém se auto elogiando com frequência, assim como os líderes evangélicos atuais, cuidado! Pode não ser o que aparenta.

DÉCIMA RAZÃO – A décima razão pela qual os líderes evangélicos do momento não me representam é pelo fato de cada um possuir uma carapuça no seu molde. É por isso que sempre que alguém tece uma crítica ao pífio sistema religioso da modernidade, mesmo que de forma universal, sempre um se dói e sai em sua própria defesa causando estardalhaços nas redes sociais e em emissoras de TV diversas. Por isso fica a orientação: os líderes evangélicos em notoriedade no cenário midiático brasileiro não representam o cristianismo genuíno, não representam os verdadeiros cristãos que se pautam pelas Escrituras Sagradas e que comungam da sã doutrina. Não se iludam, por mais que eles próprios se intitulem representantes dos cristãos, eles não são. Trata-se apenas de um grupo à parte com seus interesses próprios e bem definidos.

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